Publicado em

Jogo como reforço – Por Maria Queiroz (Educadora Canina DTC)

O jogo, ou o brincar com o cão pode e deve tornar-se num reforço poderoso. Podemos usar o jogo para melhorar o vínculo com o cão com quem trabalhamos, para melhorar a comunicação através da cooperação e como forma de desenvolver motivação, controlo e confiança. É, sem dúvida, uma ferramenta poderosa, mas que pode ser mais complexa do que o previsto. Devido ao seu enorme poder, deve também ser usada com cuidado, e em consciência. Em primeiro lugar estão os objectivos que temos para aquele cão em concreto. Em função disso, deveremos desenvolver estratégias de jogo que potenciarão uma ou mais características desejadas, enquanto “controlam” as indesejadas. O jogo é, possivelmente, o melhor exemplo de reforços múltiplos em funcionamento. É um dos comportamentos mais comuns em animais jovens, e tem como função promover a aprendizagem – através do desenvolvimento de competências e aquisição de conhecimento. No fundo, quanto mais brincarem, mais competências adquirem. Este brincar é natural, isto é, nasce com o cão, e nós podemos ter um papel importante no seu desenvolvimento. A brincar, os cães têm a oportunidade não só de desenvolver as suas competências institivas, como aprender em conjunto. Como benefício indirecto, ao brincar com o nosso cão estamos a ganhar tempo de qualidade juntos. Outro importante factor a salientar está directamente relacionado com o estado emocional. Ora, um cão para estar capaz de brincar tem que se encontrar num estado emocional adequado, confortável, livre de fome, sede, desconforto, dor e medo. Ou seja, o jogo ocorre em momentos de bem-estar, e ajuda a mantê-lo e aumentá-lo. Por outro lado, trabalhando através do jogo, podemos reproduzir estados emocionais que habitualmente aparecem ligados a problemas de conduta (como excitação, frustração, etc.). Ou seja, temos então a oportunidade perfeita para ensinar ao cão como lidar com esses mesmos estados emocionais, numa situação simulada, de forma a que ele depois saiba como se comportar em situações reais. Mas então, como brincar? Há múltiplos jogos que podemos usar para trabalhar com os nossos cães. A palavra jogo não impede a utilização de comida, por si só. Cada jogo deve ter regras concretas, e deve permitir que o cão perceba rapidamente as consequências do seu comportamento para ser eficaz. Os brinquedos a usar deverão ser escolhidos em função do jogo em concreto. Por exemplo, para jogos de puxar, são recomendados brinquedos grandes e suaves, para promover o correcto desenvolvimento da mordida, e evitar erros de cálculo que poderão levar o cão a trincar quem segura o brinquedo. A única “ferramenta” comum a todos os jogos é o nosso corpo. A nossa atitude, a nossa linguagem corporal e o nosso timing são fundamentais para nos tornarmos num bom “jogador”. Se soubermos como nos movimentar e quando actuar temos as bases para um jogo divertido. Assim, teremos sempre connosco um reforço poderoso para usar no dia-a- dia, sem precisarmos de nos munir de comida, de brinquedos, ou de qualquer outro aliado sempre que saímos com o nosso cão. Estaremos então prontos para aproveitar todos os momentos de aprendizagem que possam surgir enquanto nos divertimos com o nosso cão!

Publicado em

O que é um bom passeio? – Por Luísa Cruz (Educadora Canina DTC)

Passear o nosso cão deve ser uma atividade prazerosa para ambos. Aproveitar para relaxar, desfrutar das paisagens e conhecer novos sítios! O momento do passeio deve ser visto como uma atividade para o nosso cão aproveitar e estar tranquilo, não uma corrida contra o tempo em que temos de fazer o máximo número de quilómetros no mínimo tempo possível. Podemos destacar alguns pontos chave para um bom passeio:
– Um passeio em que o nosso cão está calmo a cheirar por onde passa é o ideal, pois significa que ele está relaxado e a absorver a informação do meio ambiente. O gasto de energia mental é elevado e normalmente mais eficaz para os cansar do que andar muito tempo sem os deixar parar para cheirar.
Se quando sai para passear tem um limite de tempo, foque-se nesse limite de tempo e não na distância que tem de percorrer durante esse tempo. Se tiver 30 minutos para passear com o seu cão, deixe-o usufruir desse tempo como ele preferir, parando para cheirar o que quiser, e não ter a obrigatoriedade de ir até um local específico e voltar;
– Quando maior for a trela, mais prazeroso vai ser o passeio para ambos. Cães são seres curiosos e exploradores. Uma trela de 1m não o permite. Utilize trelas de 2/3 metros preferencialmente. Em locais em que seja possível utilizar trelas maiores, de 5 ou 10 metros, não tenha medo e faça uso delas. A trela deve ser sempre utilizada como um equipamento de segurança, mas o ideal é que não seja o entrave a um bom passeio. A trela deverá estar presa a um peitoral confortável;
– Utilize as palavras e a relação que tem com ele para o guiar. Se o seu cão quer ir para um lado, mas naquele contexto tem de ir por outro, chame-o e reenchaminhe para o local por onde quer que ele vá. Uma comunicação calma e assertiva tem mais eficácia do que um puxão na trela em que ele nem percebe o motivo;
– Os cães preferem ambientes mais calmos, em contacto com a natureza. Sempre que possível tente privilegiar estes dois pontos. Passeios na em jardins tranquilos, na montanha, na praia vão ser os preferidos do seu cão e serão os mais proveitosos.
Experimente e aproveite para construir uma relação de companheirismo com o seu cão!
Publicado em

Enriquecimento ambiental – Por Luísa Cruz (Educadora Canina DTC)

Os nossos melhores amigos têm um passado no qual viviam da natureza e estavam habituados a ter uma série de comportamentos que em casa podem não conseguir ter, tais como andar em liberdade, roer, escavar, procurar o seu próprio alimento e superar os desafios do dia-a-dia. De forma a evitarmos ou reduzirmos problemas comportamentais é importante tentarmos melhorar a qualidade de vida dos nossos cães, aproximando-a, dentro do possível, à vida que teriam no seu habitat natural. Quanto mais entediado e com mais energia o nosso cão estiver, maior a probabilidade de arranjar uma distração que não vai ser do nosso agrado.
Existem várias estratégias que podemos aplicar de forma a enriquecer o ambiente do nosso cão dentro e fora de casa:
– Durante o passeio não podem andar em liberdade, mas podemos utilizar trelas longas e deixar os nosso cães usufruir do seu passeio e cheirar todas as ervinhas que quiserem. No passeio podem escavar, farejar, rebolar na terra e ser felizes. Podem alterar os percursos e os locais de passeio, privilegiando locais com mais natureza;
– Ter um cão que rói os móveis e rodapés não é o ideal, mas os cães têm necessidade de roer, por isso é importante oferecer-lhes brinquedos próprios para tal. Pode ter vários espalhados pela casa e incentivar que ele os utilize;
– Na hora da refeição pode colocar de lado as típicas taças e oferecer a comida em brinquedos didáticos! Entre brinquedos dispensadores de ração, puzzles, tapetes de lamber, brinquedos para rechear com comida e tapetes olfativos, as opções de escolha são muitas.
– Crie desafios! Pode ensinar um novo truque, esconder biscoitos pela casa e ele tem de procurar, criar uma pista de obstáculos para ultrapassar. Usem a imaginação.
– Os cães são seres sociais. Crie momentos em que o seu cão possa estar com outras pessoas e outros animais, desde que ele esteja confortável na situação.
– Momentos de brincadeira, com os membros da família (humanos e não humanos) ou com pessoas e animais amigos são também momentos importantes e prazerosos!